Café Express – DevLog #06

Sente-se e Aprecie a Vista

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Quando estamos preparando algo para compor o parte do universo de um jogo, e também de outras obras, temos uma série de preocupações para levar em conta, mas podemos resumir em duas questões primordiais: “faz sentido?” e “é funcional?”.

Hoje, o gatinho mais rápido do oeste, eu, o Gato Batata, vem falar sobre como tratamos dessas importantíssimas questões quanto ao tabuleiro de Café Express.

Lições aprendidas: É possível economizar em componentes ao adicionar funções ou ícones extras para os já existentes no jogo, mas nem sempre isso vai ser a melhor escolha!

Dica do Gato: Uma temática bem amarrada com a mecânica do jogo não só parece bom, mas ajuda no entendimento das regras e no bom fluxo de jogo.

Narrativa e mecânica. Narratologia e Ludologia. São coisas que nos preocupam desde o começo do projeto, e elas nos acompanham até nos pequenos detalhes. Caso você tenha perdido algum post no blog ou queira saber mais sobre como lidamos com isso também nos outros elementos de Café Express, não se esqueça que temos uma página com todos os DevLogs para você caçar aquele cujo tema mais te agrada.

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E então, precisávamos criar um tabuleiro. Ele teria que fazer sentido com o universo, e possibilitar uma movimentação que fosse fluída para os personagens.

Logo a princípio, pensamos num trem. Afinal, o jogo se chama Café Express. Se não fosse um trem, não faria sentido nenhum! Mas existem várias formas de representação desse mesmo elemento.

Colt Express, um jogo que se assemelha um bocado do nosso em questões de temática, por exemplo, utiliza vagões 3D, e a movimentação dos personagens muda também no eixo Y. Nós queríamos, no entanto, algo um pouco mais confinado, algo que gerasse conflito rapidamente, dessa forma acelerando a ação, forçando-a a acontecer.

img3d
Aposto que já falei antes, mas falo de novo: olha esse trenzinho, que gracinha, cara!

A mecânica mais próxima do contexto narratológico de Café Express que encontramos foi a “movimento em grades”. No entanto, como optamos por resumir a movimentação de personagens em um só eixo, o resultado foi uma espécie de “movimento em linhas”. Faltava agora, então, definir o espaço de jogo.

Devido ao fato das Autoridades terem uma espécie de vida infinita, e se beneficiarem do fato de estarem presentes no mesmo local que um grão de café, parecia sensato que o espaço disponível para elas fosse limitado. Considerando também que os Foras-da-Lei precisam ter espaço para se esquivar – pois, se não conseguirem, isso significa o fim de jogo – fizemos então uma trilha de movimentação de tamanhos diferentes para esses dois tipos de personagem.

Além desses espaços demarcados, temos também aquele que é reservado para o Maquinista, o meeple branco que fica na cabine vedada na frente do trem. Se ele está em pé, firme e forte, o trem avança, e assim o jogo vai se aproximando de seu final. Isso quer dizer que sim, um Fora-da-Lei pode atacá-lo! E, como benefício, ganhará tempo para conseguir se organizar e roubar os cafés restantes.

A existência do Maquinista no tabuleiro traz um grande dilema. Focar em protegê-lo pode deixar o caminho livre entre o Fora-da-Lei e o café, mas negligenciá-lo pode iniciar um impasse perigoso.

Mas o tabuleiro não consiste somente nos espaços de movimentação e a cabine do Maquinista! Precisávamos de uma forma para marcar o tempo, e um local para colocar as cartas de evento. Era preciso, ainda, que esses dois elementos estivessem relacionados, que os jogadores, ao avançar o tempo, tivessem um lembrete de quando abrir ou não um novo evento.

A princípio, pensamos num dado. Um d20 simples que iria girando e demonstrando o passar do tempo. Mas além de ser complicado encontrar os números na ordem certa, a ligação entre o trajeto e os eventos era muito pequena, então optamos por utilizar uma trilha.

Tentamos economizar espaço, fazendo uma trilha com somente 5 marcadores, visto que o último turno é múltiplo de 5. Dessa forma, sempre que acabava um ciclo, o jogador teria o lembrete de comprar a carta surpresa. Infelizmente, esse método também não foi tão efetivo. Alguns jogadores se confundiam, principalmente quando algum evento ou ação faziam o marcador avançar ou retroceder algumas casas. Além disso, o jogo precisava contar com um token para indicar a iniciativa, que precisava ser trocada entre os jogadores todo turno.

Chegamos então nesse resultado:

2.0_girado.jpg
Olha o nosso trem aí! Lembrando que essa é uma versão demonstrativa e talvez sofra mudanças até o final do projeto!

Uma trilha de tempo contínua. Difícil de se perder, com números para indicar os eventos, e com a possibilidade de eliminar o token de iniciativa, afinal, bastava lembrar quem começou jogando para saber de quem era a vez, visto que as cores das casinhas eram alternadas.

Testes e mais testes mais tarde, descobrimos que os jogadores ainda se perdiam ao determinar de quem era a vez. Lembrar quem era o jogador branco ou o dourado, no meio da adrenalina do oeste, não era o ato mais fácil de todos os tempos. Então, volta aqui moedinha de iniciativa!

Dessa vez, no entanto, decidimos que o token seria dourado, para que os jogadores se lembrassem de quem começou jogando, evitando assim ficar transferindo a fichinha de um para o outro toda vez (ninguém merece, né?)

E por fim, e talvez menos importante, a pergunta que algumas pessoas nos fazem ao perceber o sentido da trilha de tempo: Por que o marcador vai pro sentido oposto do trem?

Pelo mesmo motivo que um Fora-da-Lei, quando atingido, cai e vai para trás: porque o trem está indo pra frente! Conforme ele avança, coisas vão ficando para trás. Isso aumenta a sensação de movimento do trem, e tenta ajudar, ainda que bem levemente, na imersão do jogo.

cats.png

Com isso, encerramos aqui o nosso estudo sobre o tabuleiro, crianças! Agora é só apreciar a paisagem enquanto nós viajamos com (muita ansiedade) calma em direção ao nosso financiamento coletivo! Mas os devlogs não acabaram! Então siga a página do Facebook da Potato Cat para acompanhar as novidades de Café Express, e acesse o site oficial do jogo para se inscrever em nossa Newsletter!

Apreciem a paisagem!

 

Um abraço gatástico do batata aqui,
Gato Batata

Publicado por

Potato Cat

Olá! Eu sou um gato. E uma batata. E também uma empresa de jogos. Leia um pouco do conteúdo desse blog e certamente você saberá bem mais sobre mim ;)

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