Resenha do Gato #02 – Tao Long

Se você pensa que ser um desenvolvedor de jogos consiste somente em desenvolver jogos, este Gato Batata aqui tem algo pra te dizer. Muito mais do que ter ideias, definir temáticas, mecânicas, enredos, componentes e manuais, existem também as tarefas de garantir que tudo está bem colado, que o jogo está balanceado, e que as pessoas compreenderão a essência do projeto quando se depararem com ele. Para isso, é preciso saber apresentar a obra, ajudando assim os jogadores a entrarem em sintonia com o universo mágico que você criou.

Como um bom exemplo disso, hoje venho falar de um recente sucesso nacional (e internacional) de financiamento coletivo que, com certeza, mereceu tudo o que conseguiu na campanha. Este é o “Tao Long: O Caminho do Dragão”.

Vamos deixar claro logo de saída: não vamos falar só do jogo, mas sim da experiência que foi conhecê-lo através de uma apresentação de seu próprio criador. Por quê? Ora essas, meu caro humano de carne! Explico-lhe agora mesmo!

O Caminho do Dragão

Senhor e Senhora Meow ficaram sabendo da campanha algumas semanas antes dela realmente sair. Nossos amigos dos canais “Direto ao Ponto” e “Jogo na Mesa”, Alan Farias e Danilo Pístola, jogavam, imersos, uma partida acirrada durante o “Além do Muro”. Não tínhamos pego a explicação do jogo, mas a partida em si já parecia muito interessante.

Apesar de um protótipo, o jogo continha arte e componentes impressionantes, uma mecânica simples extremamente bem elaborada e encaixada e uma temática que encantava. Ficamos bem curiosos a respeito do jogo, no entanto, só iríamos entendê-lo de fato quando víssemos a campanha na semana seguinte, ou pelo menos foi o que pensamos.

Resenha_taolong_components.png
Os belíssimos componentes básicos de Tao Long!

Campanha lançada, tudo ficou bem mais claro. Tao Long é um jogo abstrato para dois jogadores que representa um duelo entre dragões na China Antiga. Esses dragões representam forças opostas: o Branco e o Preto, o Céu e a Terra, o Bem e o Mal, o Ying e o Yang. E utilizando elementos do mundo espiritual como ferramentas para batalhar no mundo material, estas criaturas mitológicas conseguem se mover e atacar.

Em questões de mecânicas, o jogo é muito simples de entender. Em seu turno, o jogador realiza um dos movimentos disponíveis, que retratam elementos da natureza, e deslocam seus (belíssimos) dragões pelo tabuleiro (igualmente belíssimo). Por serem dragões compostos por várias pecinhas (isso lembra muito aquele famoso jogo Snake, que costumava vir instalado em celulares antigos), cada uma das partes de seus corpos possui pontos de vida (água), mas existem também as energias da destruição (fogo), que conferem às criaturas mitológicas um dano muito maior nos movimentos de ataque.

Não bastando esses elementos, as ações disponíveis variam de turno em turno. Explicando melhor, existe uma mancala por onde energias Ying e Yang transitam, em uma busca eterna pelo equilíbrio. Em sua vez, o jogador pode escolher uma casa com fichas de energia e ir distribuindo essas peças, uma por uma, nas casas seguintes. A última casa que receber uma peça é aquela que será ativada. Caso tenha se interessado e queira aprender um pouquinho mais, dá uma olhadinha nesse vídeo da Octo Ludustudio ensinando o passo-a-passo do jogo:

Isso significa que os jogadores não só devem administrar sabiamente suas energias de fogo e água, como também precisam realizar movimentos estratégicos para estarem no lugar certo, na hora certa, e ainda deixar as peças de energia no tabuleiro de uma forma a desfavorecer o adversário. Dá pra perceber, só daí, que o jogo vira um verdadeiro fritador de neurônios em pouco tempo, não é? Ainda assim, ele consegue ser um jogo bem intuitivo e fluído, aliviando assim a tensão de quem fica paralisado analisando as próximas jogadas.

Mas, calma! O jogo já parece bom, mas não é só disso que viemos falar!

Um tempo depois, e ainda durante a campanha de FC, encontramos Pedro Latro (um dos criadores do jogo) em um outro evento de jogos de tabuleiro, o “BoardGames São Paulo”. Lá, ao invés de nos valermos do limitado conhecimento que adquirimos ao ler a campanha, tivemos a honra de sermos verdadeiramente conduzidos ao universo de Tao Long.

Pedro não só explicava a mecânica, mas também o porquê dela existir. Cada ação do jogo é ambientada, cada movimento existe com sentido, cada peça foi muito bem pensada. Desde as profundezas das águas, às formas de extensão de uma montanha, dos círculos de energias espirituais até o pano vermelho que repousa debaixo do tabuleiro. Aquela partida, humanos e humanas, foi uma experiência completa.

O que quero dizer aqui é que um jogo não é só sua mecânica e sua arte, mas também sua apresentação, seu significado, sua consistência. E Tao Long não só consegue apresentar-se bem por conta própria, como também conta com uma equipe dedicada em trazer uma experiência lúdica, e até poética, realmente palpável.

Como todo bom jogo, é claro, existem pessoas que não curtem Tao Long. Talvez pela imersão requerida para entender por completo as ações, talvez pelo fato de ser um jogo extremamente estratégico (e, convenhamos, não é sempre que é legal fritar a cabeça assim). Mas se você procura uma experiência amarrada fortemente em cada componente, então é hora de conhecer esse jogo. Talvez até mesmo venha conhecer mais coisas do que simplesmente o jogo em si.

Agora não há mais tempo para apoiar o financiamento, que já este se encerrou. Mas há tempo para correr atrás de uma cópia do jogo, que começa a ser distribuído no meio desse ano. Aliás, nós já garantimos a nossa, e nos esforçando para manter o equilíbrio espiritual e material de não tê-la em mãos ainda, esperamos ansiosamente por ela.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s