Resenha do Gato #01 – Machina

Uma das tarefas mais divertidas e importantes que um gato batata… Digo..  Que um game designer tem que fazer é nada mais, nada menos, do que jogar.

Quando você joga simplesmente por diversão, tudo o que você quer é dar umas boas risadas, botar a cabeça pra pensar de um jeito diferente e escapar do cotidiano. Mas quando você cria jogos, cada partida é recheada de análises sobre cada pequeno elemento que forma o jogo. Parte da nossa diversão vem disso, sabia? Ao menos eu adoro identificar mecânicas, variáveis, dilemas e tudo mais.

Como você deve saber, e como diz o velho ditado, nada se cria, tudo se copia. É totalmente saudável que o profissional de uma área estude os trabalhos realizados por outros profissionais. Isso cria produtos mais interessantes, prevê falhas em seus projetos, e ainda alimenta a comunidade de desenvolvedores.

Por isso e por alguns outros motivos sutis, este gato batata aqui decidiu começar a escrever resenhas de jogos! Dessa forma, além de fornecer feedback que, espero eu, seja interessante para os criadores, podemos criar uma pequena teia de informações que também podem ser úteis para outros desenvolvedores e até mesmo jogadores.

E por falar em teia, o primeiro jogo do qual gostaria de falar é uma criação do Studio Teia de Jogos, um fantástico grupo amigo da Potato Cat que tem seu foco voltado para jogos de Print and Play. Jordan Florio, desenvolvedor do grupo, sentou com Senhor Meow e seu companheiro de aventuras e viagens, Víctor Silva, para uma partida de Machina: Simulacro de Guerra.

Os Motores que Movem a Guerra


Primeiramente, Senhor Meow me pediu para reforçar que estava bem ansioso para jogar este jogo. Fazia um tempo que via Jordan levá-lo para a grande maioria dos eventos onde estávamos e, além disso, trata-se também de um jogo com temática steampunk, como o nosso querido Cartas a Vapor. A ambientação, no entanto, é um pouquinho diferente. Ao invés de se passar em uma Porto Alegre dos Amantes, com personagens históricos reinventados por Enéias Tavares, Machina se passa no universo literário criado pelo próprio Jordan. Isso é algo bem interessante, pois podemos ver, nos elementos das cartas e peças, que o universo não termina ali no jogo, mas, ao mesmo tempo, é suficiente para ambientar o jogador. Característica essa também presente em nosso card game! Semelhanças curiosas, não?

O jogo tem toda uma identidade visual interessante e marcante, que sempre remete ao ambiente e enredo: uma grande guerra entre quatro grandes nações. Aqui, cada jogador toma o papel de um comandante de uma nação, sendo responsável por adquirir recursos, criar exércitos e dominar os outros povos. É bem típico de jogos de guerra e estratégia, mas, como veremos a seguir, algumas coisas são bem peculiares.

Assim que o jogo começa, você deve escolher sua estratégia inicial, optando por ter mais províncias de produção – que lhe garantem uma vantagem monetária – ou por províncias tecnológicas – que lhe permitem acesso antecipado a novas tecnologias. É um tanto quanto difícil escolher, uma vez que ambos os benefícios são essenciais para o jogo. Mas, com o resultado final da partida, percebemos que qualquer uma das escolhas pode funcionar perfeitamente, uma vez que o 1º e o 4º colocados utilizaram uma estratégia, enquanto os colocados do meio escolheram a outra. (Fofoquinha amiga: Ficamos sabendo, e comprovamos, que Jordan tem a péssima mania de perder lindamente em seu próprio jogo)

LAB11.jpg
Na foto, podemos ver o poderoso e temível império de Senhor Meow, categorizado pelos meeples brancos

O mapa do jogo é modular, o que parece estar fazendo sucesso hoje em dia. Nada muito diferente aqui, exceto que cada jogador possui um limite de terrenos que pode criar, o que força todos ao combate caso queiram expandir. Isso é importante pois, numa partida comum, o jogo acaba quando somente uma nação governa as terras.

Nós, no entanto, jogamos uma partida reduzida, com uma quantidade definida de turnos, forçando o término do jogo. Ainda assim, ficamos cerca de duas horas jogando! Tudo bem que foi nossa primeira partida, mas temos que admitir que não é um jogo tão rapidinho.
Há ainda dois elementos importantíssimos que preciso destacar antes de dar o veredicto sobre o jogo: o combate e os “motores”.

O combate, feito com dados, é bem diferente do de jogos comuns de guerra. Isso pelo simples fato de que o atacante continua atacando com o mesmo valor do dado até que o defensor iguale ou ultrapasse esse valor. Isso faz com que exista uma chance (bem pequena, mas existente) de um jogador, num único ataque e com um único exército, destruir as 3 outras nações sozinho! Isso nunca aconteceu até o momento, mas não duvido nada que isso um dia aconteça.

Os motores são elementos ainda mais únicos. Suas ações no jogo estão todas representadas em “estados” que sua máquina de guerra pode assumir em cada uma das posições de seus dois motores. Para ativar esses estados, então, você deve gastar suas “marchas” para trocar a posição dos motores e escolher entre uma grande gama de atividades.

Aqui o jogador também tem a possibilidade de personalizar ligeiramente sua estratégia ao montar sua máquina de guerra. Isso quer dizer, escolher qual de seus motores irá utilizar primeiro e, assim, quais combinações de ações serão permitidas. A diferença não é tão grande, mas é preciso se adaptar à combinação dos motores, ou então seus exércitos irão se comportar de maneira totalmente desorganizada e dar uma grande vantagem aos seus inimigos.

No geral, Machina traz uma série de elementos diferentes que podem, muitas vezes, ser encontrados isoladamente em outros jogos. Essa combinação, por outro lado, é única e harmoniosa, criando um ambiente leve para o jogo, o que, na opinião desse Gato Batata aqui, é essencial para jogos de estratégia, que costumam ser densos do começo ao fim.

Talvez a aventura completa, a qual não tivemos tempo ou oportunidade para jogar, traga elementos bem diferentes em uma partida bem mais longa do que Senhor Meow costuma jogar. Então mesmo para você que gosta de passar várias horas construindo e destruindo impérios, ou você que curte jogos estratégicos somente de vez em quando, Machina: Simulacro de Guerra pode ser um ótimo jogo.


Quer saber mais sobre esse e outros jogos do Studio Teia de Jogos? Então acesse esse link e fique por dentro de todas as novidades interessantes que eles têm disponíveis em seu site oficial.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s