Cartas a Vapor – DevLog #12

Heróis & Vilões

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Enquanto Senhor & Senhora Meow, meus queridos pais, estavam ocupados confeccionando protótipos reais das ferramentas de Cartas a Vapor para fins de teste de verossimilhança, percebi uma estranha luz vinda de um de nossos depósitos de engrenagens. Quando alcancei o pequeno cômodo, encontrei, envolta numa estranha gosma ectoplasmática, um pequeno pedaço de papel. Nele, inscrições de tempos longínquos descrevem, numa estranha e quase profética coincidência, algo muito semelhante ao nosso processo criativo de Cartas a Vapor.

Agora, após finalmente conseguirmos limpar todos os resquícios do líquido viscoso, trazemos, na íntegra, esta carta assinada por Enéias Tavares. Confira.

E se você perdeu alguma coisa ou deseja rever algo nos DevLogs de Cartas a Vapor, clica aqui e dá uma olhadinha em nosso resumo.

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Como o desafio inicial do cardgame Cartas a Vapor era produzir um jogo que servisse tanto como jogatina divertida e vistosa quanto como um suplemento aos leitores da série, que porventura estivessem interessados apenas em determinadas informações – textuais ou visuais que ele poderia trazer – meu trabalho foi direcionado para personagens, ferramentas, cenários e outros construtos que pudessem expandir o cenário da série.

Esta meta não era simples e poderia resultar num fracasso completo, não funcionando nem como uma coisa nem outra. Felizmente, enquanto eu me concentrava no conjunto de informações que julgava relevantes à expansão do universo da série, Bruno Accioly quebrava a cabeça e os relógios para atender aos prazos com as artes e os designs das cartas, enquanto Kevin e Samanta, as mentes criadoras por traz da Potato Cat, faziam o possível (e quase sempre o impossível!) para revisarem, criarem e produzirem um jogo que fosse amável, consumível e acima de tudo jogável!

Como em literatura, quantas vezes não esbarramos com personagens ou enredos ou jogos com os quais simplesmente não nos conectamos? Por hora é um pouco cedo para dizer se tivemos sucesso em todas essas metas, mas a recepção às cartas finais que já produzimos e nas sessões teste com os protótipos híbridos (de cartas antigas e novas) tem sido bem positiva.

Neste devlog, quero discutir um pouco a criação dos heróis e dos vilões do jogo, o primeiro conjunto de cartas que fechamos, antes mesmo de começarmos a discutir quais as missões seriam as mais interessantes e quais os cenários seriam os mais adequados a elas. Desnecessário dizer que 1200 quilometros separam a mim de Kevin e Samanta (que moram em São Paulo) e ainda mais do carioca Bruno Accioly. Graças à internet e ao Skype, essas distâncias foram transpostas, num projeto que não apenas é transmídia como também transgeográfico!

Quando comecei a pensar nos dez heróis do jogo, eu sabia por exemplo que os integrantes da minha “liga da justiça vitoriana” seriam os protagonistas, sendo eles os responsáveis pelas missões. Neste caso, criamos dez cartas que trazem essencialmente os paladinos do Parthenon Místico: com isso temos Louison, Beatriz, Benignus, Sergio, Vitória e outros, entre eles o autômato Trolho, personagem inédito que aparecerá apenas no segundo romance.

Mas como todo o projeto, há também ausências necessárias. As amadas damas do Palacete dos Prazeres Rita Baiana, Léonie e Pombinha, tiveram de ficar de fora, ao menos do baralho básico. Depois de muitos planejamentos e rearranjos, conseguimos – para a minha alegria e a de muitos leitores – acrescentá-las numa expansão. A diversão de trabalharmos num projeto como esse é vê-lo crescendo, se modificando, se alterando, à medida que novas concepções, exigências ou mesmo desafios imprevistos vão se apresentando.

Quanto aos vilões – incluindo alguns inéditos (e não, não darei spoilers sobre o misterioso vilão literário do segundo livro!) – basicamente optamos pelas duas organizações que antagonizam o Parthenon Místico: de um lado, os sádicos cientistas e agentes da Ordem Positivista Gaúcha e do outro os perversos e perigosos integrantes da Camarilha da Dor. De quebra, a inserção do demônio ancestral Pamu, o Venerável! Lembram dele? Tenham medo!

A ideia de termos uma criatura infernal gosmenta e tentacular deu ao jogo uma dimensão muito solene e terrível de horror lovecraftiano, uma das minhas referências principais para a série e o cenário. Por outro lado, evidenciou o absurdo dessa justaposição entre ciência e misticismo no final do século 19, justamente uma mistura que me interessa e que procuro explorar nas situações vividas pelos heróis de Brasiliana Steampunk.

Curiosos? Eu também. Na expectativa das novidades que a galera da Potato Cat está preparando para todos nós!

Um abraço a vocês!

Enéias Tavares

Santa Maria da Bocarra do Monte, 7 de junho de 1912.

Via transmissão ectoplástica temporal – seja lá o que isso for!

[Junto aos inscritos, um outro tipo de papel foi encontrado. Este, mais robusto e brilhoso, tinha consigo a imagem horrenda de um demônio, como pode-se ver a seguir]

carta_PERSONAGEM_Pamu.png

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Publicado por

Potato Cat

Olá! Eu sou um gato. E uma batata. E também uma empresa de jogos. Leia um pouco do conteúdo desse blog e certamente você saberá bem mais sobre mim ;)

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