Cartas a Vapor – DevLog #03

Bem Vindo ao Mundo dos Jogos

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Neste DevLog, seu querido Gato Batata… Ah, não… Espera um pouquinho… Não fui eu quem escreveu esse! Na verdade, é autoria de nosso (também querido) amigo, Enéias Tavares, autor de A Lição de Anatomia do Temível Doutor Louison, e parceiro essencial para a criação do Cartas a Vapor. Mais abaixo ele nos dá umas palavrinhas a respeito de suas primeiras experiências com o mundo dos jogos e, mais precisamente, com o início de nossa deliciosa parceria.

Lição aprendida: Amigos, amigos. Negócios à parte. Mas, às vezes, são os negócios que nos trazem grandes amigos, aventuras e novos horizontes.
Dica do Gato: Você ainda não leu o primeiro livro da série do Brasiliana Steampunk? Então o que está esperando? Você pode encomendá-lo (junto com outras coisinhas muito interessantes) na loja EPIC.

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Jogos são diversões coletivas, que aproximam amigos, fortalecem afetos e, por que não?, despertam paixões e talvez amores por toda a vida. Jogos são igualmente desafiadores e encantadores. Eles te fazem abraçar o esforço e pensar muito sobre como resolver problemas, chegar ao final da missão, vencer seus inimigos ou simplesmente completar as sequências de números ou naipes. Dependendo das regras, do cenário ou da caracterização, certos jogos te fazem abandonar um mundo rotineiro e entediante para adentrar em calabouços com dragões, em mansões com suspeitos e detetives ou no campo de batalha dos investimentos imobiliários, nos quais se pode ganhar ou perder tudo, literalmente.

No meu caso, porém, jogos apresentam também um aspecto agridoce. Apaixonado por livros e por universos fantásticos desde quando era criança, sempre os admirei à distância, uma vez que meus talentos interpessoais nunca foram os mais expressivos. Esse aspecto meio solitário de menino quieto foi problematizado por outros dois elementos que formaram minha infância: o fato de não ter irmãos com quem brincar – e brigar! – e o trabalho de meu pai que exigia que nos mudássemos a cada ano, o que dificultava qualquer laço de amizade mais duradouro.

Assim, quando cheguei à adolescência e descobri os jogos de tabuleiro e de representação – RPG – eles possuíam aquele cenário fantástico para o qual queria fugir e ao mesmo tempo a proibição tácita de que tal experiência estaria vedada a mim caso não tivesse um grupo de amigos que adorasse passar horas e horas imersos naquela brincadeira. Mesmo assim, comprei Vampiro: a Máscara e outros jogos da White Wolf, deliciando-me com aquele universo sombrio, enquanto escolhia clãs, habilidades, objetivos existenciais e bolava campanhas imaginárias.

Até que chega a idade adulta e suas responsabilidades, que acabaram me levando à adorável profissão de escritor de literatura fantástica (ao lado de outra, acadêmica e bem mais formal). Desde que A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison venceu o concurso da editora Casa da Palavra/LeYa, sendo publicado em agosto de 2014, que tenho pensado em dezenas de ideias para produtos transmídia que poderiam adaptar as aventuras dos estranhos e singulares heróis do Parthenon Místico.

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[Gato Batata]: Fala se não é uma capa bonita? O conteúdo é ainda melhor!

Passado pouco mais de seis meses da publicação e depois de uma dezena de eventos e lançamentos nos quais conversei com várias pessoas, a ideia fermentava mais e mais, sobretudo quando respondia a algumas perguntas bem específicas: “Por que não um jogo eletrônico baseado em Brasiliana Steampunk?” “Não sou bem um cara de jogos eletrônicos…” “Por que não um RPG do Parthenon Místico?” “Seria legal, mas ainda não sei se seria o momento…” “Por que não um Jogo de Tabuleiro em Porto Alegre dos Amantes?” “Eu adoraria, mas para tanto precisaria de uma equipe e de uma empresa que topassem e…”

E assim eu ia, absorvendo muitas ideias e ao mesmo tempo desviando dos projetos mais audaciosos, como sempre faço de forma geral: olhos nas estrelas mais distantes & pés bem fincados no chão. Até que em março de 2015, recebi um inacreditável e-mail de um casal paulistano: uma proposta formal e bem estruturada de um Jogo de Tabuleiro chamado Chronos, que tinha Brasiliana Steampunk por mote principal.

Tal proposta chegou-me num PDF de sete páginas, escrito em fonte 10 e sem espaçamento, com regras, descrições, simulações, além da menção a outros dois jogos, caso não tivesse gostado do primeiro. Ademais, abria o arquivo uma elogiosa reflexão sobre a série – o que deixou meu ego escorpiano realmente inflado! – e uma descrição do seu potencial mercadológico e cultural – o que fez meu ascendente leonino respeitá-los, pois raros profissionais de economia criativa tem uma visão tão clara da importância de tanto criar um produto quanto de vendê-lo e divulgá-lo. E no cabeçalho do projeto, o nome dos autores:

“Uma iniciativa por Kevin Talarico e Samanta Geraldini”.

Desde o início, adorei-os e simpatizei com o seu profissionalismo e com sua capacidade de reverem ideias iniciais em busca de soluções mais estimulantes e interessantes. Apesar de ter gostado da ideia de Chronos, achei que tal proposta funcionaria melhor no futuro, quando Brasiliana Steampunk fosse mais conhecido. Naquele momento, o que eu desejava era um jogo que pudesse não apenas divertir os leitores do primeiro livro, como também apresentar o universo retrofuturista e seus heróis literários de uma forma atraente e dinâmica, evitando uma jogabilidade mais complexa ou regras muito limitadoras. Numa frase:

Um jogo com a dinâmica dos baralhos, porém com a ambientação e com a possibilidade, mesmo que pequena, de interpretação dos games de RPG.

Em agosto do mesmo ano, na terceira edição da Steamcon de Paranapiacaba (SP), o maior evento steampunk do Brasil, tive a oportunidade de finalmente conhecê-los. Apesar de um rápido encontro anterior com Kevin no centro de São Paulo, foi lá que nós três sentamos na calçada à frente do Mercado – onde vários produtos steampunk estavam sendo expostos e negociados – que conversamos sobre que tipo de jogo seria mais adequado aos nossos esforços: tanto pelo jogo em si e pelo potencial que teria junto ao público, como também pelo desafio que sua criação significaria para um trio independente como o nosso.

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[Gato Batata]: Olha aí meus pais, Senhor & Senhora Meow em Paranapiacaba com Enéias e… Adamastor, o cão-bengala de guarda.

Foi daí que surgiu a ideia de um cardgame, que poderia ser levado no bolso, na mochila, de um lugar a outro, podendo ser jogado em casa, na praça, no shopping ou até mesmo na escola (com uma boa desculpa caso fossem importunados por professores: “Estamos jogando um jogo baseado na literatura brasileira!”). Ademais, esse jogo serviria como um excelente complemento à série literária, uma vez que ele não apenas mostraria os principais heróis e vilões, como também os cenários do livro e as ferramentas steampunk que são apenas citadas, além de outras tantas que seriam criadas só para o jogo.

Nós três sorrimos diante desse brainstorm, pois tínhamos chegado numa boa ideia, tudo isso enquanto desfilavam diante de nós damas vitorianas e aventureiros retrofuturistas com seus trajes portentosos e suas armas perigosíssimas, tudo devidamente customizado para o final de semana em Paranapiacaba.

Foi assim que começamos a trabalhar no que viria a ser “Cartas a Vapor”.

Como disse no início, jogos são diversões coletivas. Eu, particularmente, tenho me divertido muito com meus novos amigos, Kevin e Samanta, e espero que todos vocês aproveitem a aventura incrível que tem sido desenvolver esse jogo, com seus improváveis heróis, seus demoníacos vilões, suas excêntricas missões & seus admiráveis artefatos!

Enéias Tavares

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Publicado por

Potato Cat

Olá! Eu sou um gato. E uma batata. E também uma empresa de jogos. Leia um pouco do conteúdo desse blog e certamente você saberá bem mais sobre mim ;)

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